
ABRINDO O DEBATE
A orientação sexual
na escola não é mais um tema polêmico. Todos agora reconhecem sua importância.
Foi preciso que a Aids, as doenças sexualmente transmissíveis e os índices de
gravidez na adolescência crescessem e assustassem.
Hoje, porém, a orientação
sexual é um dos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC.
O que não significa que a
escola e os educadores saibam lidar com o assunto. Relações de Gênero,
Homossexualidade, Abuso Sexual, Aborto, Sexo na Mídia são alguns dos temas que
envolvem muitos conflitos, difíceis de abordar e debater. E como tratar o corpo,
fonte de desejo e prazer, sem reduzi-lo a um aparato biológico, como se costuma
fazer?
O tema das drogas traz outras questões. De que drogas estamos falando: das ilícitas, como maconha e cocaína? E o álcool, a nicotina, os remédios para dormir ou emagrecer? Há mais drogas psicoativas entre o céu e a terra do que gostaríamos de admitir. Não se trata simplesmente de dizer não às drogas, mas de abrir o debate, procurar entender usos, abusos, dependência, contexto cultural, mercado, narcotráfico. Encarar o problema com realismo, mas sem terrorismo ou moralismo.
Em mais de 20 anos de experiência em escolas, trabalhando com adolescentes, professores, orientadores e pais, aprendi que o trabalho contínuo e que produz reflexão é que se faz necessário, tanto no tema da orientação sexual quanto na prevenção ao uso indevido de drogas.